A parceira recebe os dados por meio de uma instituição autorizada.
O Open Finance nasceu no Brasil como política pública do Banco Central, com foco no compartilhamento padronizado de dados.
No modelo de parcerias, a empresa parceira não acessa o ecossistema diretamente. Ela recebe os dados por meio de um Receptor, uma instituição autorizada, e constrói o produto a partir deles.
O modelo responde por mais de 20% dos consentimentos.
Mais de 20% dos mais de 180 milhões de consentimentos do Open Finance vêm do modelo de parcerias (julho de 2026, segundo o Dashboard do Cidadão do Open Finance Brasil), uma das causas do crescimento acelerado dos últimos meses. Os casos de uso em produção já alcançam educação, crédito, prevenção a fraude, agronegócio e transporte.
Quem responde pelos dados é o Receptor.
Perante o cliente e o Banco Central, a responsabilidade pelos dados é do Receptor. Ele faz o KYC (conheça seu cliente) e a due diligence da parceira, monitora a relação de forma contínua e funciona como o filtro regulatório.
O sistema financeiro já usa essa lógica em outros arranjos. No mercado de pagamentos, as credenciadoras respondem pelas subcredenciadoras que habilitam, e o arranjo escalou. Concentrar a responsabilidade na instituição regulada é o que permite abrir o acesso sem abrir mão da supervisão.
Os controles já existem na prática.
Os participantes estruturados já operam com um conjunto de controles que a norma pode consolidar:
- due diligence documentada sobre a parceira antes de qualquer dado fluir, cobrindo capacidade técnica, governança e histórico;
- contratos com limitação estrita de finalidade;
- monitoramento de conformidade durante toda a parceria;
- registros de acesso auditáveis;
- desligamento rápido da parceira quando um risco é identificado;
- transparência ao cliente e ao Banco Central sobre quem acessa os dados e para quê.
Padronizar é transformar boa prática em requisito mínimo.
A padronização não cria barreira de entrada. Ela torna obrigatório o que os participantes comprometidos já praticam:
- critérios de habilitação de parceiras;
- certificação de segurança da informação;
- políticas documentadas e auditáveis;
- obrigações contratuais claras.
Os precedentes apontam para mais controle, não para vedação.
Ao regulamentar o Banking as a Service (BaaS), na Resolução Conjunta nº 16/2025, o Banco Central não fechou a porta para entidades não reguladas. Construiu um arcabouço de controles, responsabilidades e auditoria, com a instituição regulada respondendo integralmente pela conformidade da relação. Reino Unido e Canadá seguem a mesma direção.
Um estudo do Banco de Compensações Internacionais (BIS) sobre a experiência internacional com abertura de dados mostra resultados concretos quando a regulação é bem desenhada: mais investimento em inovação, novas relações de crédito para pequenas empresas e melhores condições para quem o sistema financeiro tradicional não atende.
Supervisão rigorosa protege quem opera com seriedade.
A evolução do modelo depende de todos os lados. Os participantes seguem a norma e as diretrizes do Open Finance. A governança do ecossistema e o regulador aprimoram o monitoramento, com supervisão capaz de punir quem descumpre a regulação, qualquer que seja o porte.
Fontes
- Modelo de parcerias: a hora de padronizar o que já funciona · Finsiders Brasil, 29 de jul. de 2026
- Dashboard do Cidadão · Open Finance Brasil
- Opening doors to open finance: evidence from the international experience · Bank for International Settlements (BIS)
- BC e CMN regulamentam Banking as a Service · Demarest Advogados
- Mais de 20% dos consentimentos do Open Finance vêm do modelo de parcerias, e a padronização das suas regras é o caminho natural de um ecossistema que está amadurecendo. · LinkedIn · Gustavo Lino, 27 de jul. de 2026
- Um único modelo já responde por mais de 20% dos 180 milhões de consentimentos do Open Finance Brasil. · LinkedIn · Gustavo Lino, 8 de jun. de 2026
- Essa semana o Bank for International Settlements – BIS e a University of Cambridge publicaram mais um estudo para falar sobre as iniciativas de Open Finance, desta vez com foco no impacto em países emergentes. · LinkedIn · Gustavo Lino, 25 de jun. de 2026
- Ontem o Valor Econômico publicou a excelente matéria do Álvaro Campos sobre a proposta recente do Banco Central sobre o compartilhamento de dados do Open Finance. · LinkedIn · Gustavo Lino, 31 de mar. de 2026
Sobre o autor
Gustavo Lino, Head de policy · Cumbuca.
Responsável por política regulatória, jurídico e compliance na Cumbuca.
Antes, passou pela Quanto e pela Swap. É diretor-executivo da INIT, a Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamento.